A maior parte das pessoas têm algumas tendências no comportamento que, quando não percebidas, levam à tomada de decisões ruins e avaliações incorretas. São uma espécie de “piloto automático”: nos deixam confortáveis com a conclusão que alcançamos, mas são enganosas. Vamos ensinar algumas das mais comuns para que você possa corrigir esses hábitos.
1. Viés de confirmação
Uma das mais comuns e mais perigosas tendências de pensar e agir. É a preferência por informações que confirmam nossas crenças e hipóteses. Por exemplo, você lembra de ouvir dizer que a Estátua da Liberdade tem 120 metros de altura. Aí vai ao Google e digita “estátua da liberdade 120 metros” em vez de “estátua da liberdade altura”. Pode ser que você encontre uma página justamente com a informação que você já procurava, mas nada impede que ela esteja errada (a Estátua na verdade tem 93 metros de altura). O viés de confirmação também se aplica ao seu jeito de interpretar informações novas. Se você já está convencido de que certa empresa vai ser um sucesso, o viés de confirmação impedirá você de vender suas ações, mesmo queda após queda.
2. Apofenia
Tendência muito comum, e que só vai vai se agravar neste mundo do “Big Data”. É nossa tendência de enxergar padrões e significados em dados aleatórios ou sem sentido. É por causa da apofenia que enxergamos o rosto humano em figuras inanimadas, como maçanetas, tomadas e na fachada das casas. De forma bem mais perigosa, a apofenia pode nos fazer tomar decisões erradas. Um livro fez muito sucesso explorando este filão, “O Código da Bíblia” – tentando enxergar no texto bíblico previsões sobre eventos futuros, sendo que, naturalmente, é muito fácil procurar padrões e palavras em qualquer texto depois que os eventos já aconteceram. Vítimas da apofenia buscam padrões nos sorteios da Mega-Sena na tentativa de prever prêmios futuros (inútil) ou tiram conclusões automáticas ao ver um mapa com resultados eleitorais, por exemplo, sem se importar com outros fatores em jogo.
3. Viés de autoconveniência
Nossa tentativa de acreditar naquilo que protege nossa autoestima, incluindo atribuir sucessos ao nosso esforço, mas fracassos ao azar ou ao trabalho mal-feito dos outros. Quando conseguimos uma vaga de emprego, mérito nosso; se fracassamos, o mercado está ruim. Um acidente que ocorreu comigo foi azar; quando acontece com outro, foi ele que não tomou cuidado. É um viés especialmente fatal no trânsito – cada um pensa ser ótimo motorista e todos os erros são culpa dos outros.
4. Viés de sobrevivência
O erro muito, mas muito comum, de se concentrar apenas nos exemplos bem-sucedidos ou “sobreviventes” e tirar conclusões a partir daí. Por exemplo, analisar os hábitos ou características de “pessoas milionárias” – ignorando que muitas outras pessoas, com as mesmas características, arriscaram muito e perderam.
Um exemplo dramático vem da II Guerra Mundial. O matemático húngaro Abraham Wald analisou aviões bombardeiros que voltavam danificados dos combates. Um estudo propunha reforçar as partes que voltavam com mais danos. Wald sabia que o certo era fazer exatamente o contrário. Apenas os aviões que voltavam eram analisados; os demais, claro, tinham sido abatidos. O correto, portanto, era priorizar as outras partes, aquelas que, atingidas, levaram à queda dos aviões que não tinham voltado. Quando o fracasso é ignorado, a diferença entre ele e o sucesso também se torna invisível.
Quais erros de julgamento você encontra com frequência no seu cotidiano? Comente.



